domingo, 29 de abril de 2012

o percurso

As paredes do meu coração estão decoradas com minha dor, quadros pintados com vazio de saudades inevitaveis de nao se olhar. Sigo ruas vazias que acompanham o meu choro. Chego no ponto do ônibus esperando por qualquer sinal que me faça ter alguma reação, algum sorriso, um alivio, uma mão estendida que dessa vez chegue até à mim, um amor que preencha este espaço que nada preenche. Continuo meu percurso, olho para fora e choro. Como um garoto perdido em um deserto. Sedento e necessitado, eu vou guiando, levando, com olhos cansados, tentando e não obtendo. Alguém me salve. Chame uma ambulância. Estou andando numa linha, equilibrando-me, mas com a certeza de que qualquer sopro pode me fazer cair. Já dizia Fernando de Abreu “São coisas minimas que me ferem como catástrofes”. E pego meu ônibus, me ajudando enquanto só eu posso fazê-lo. Ninguém pode carregar minha bagagem e o meu coração decorado. Desço no meu ponto e sigo. Sigo pensando nos meus momentos, naquele passado marcado na memória que me impede de seguir. Chego em casa, vejo um quarto vazio e um espaço a ser preenchido na cama. Tomo banho pensando, pensando, e por fim apenas pensando em não pensar tanto. Não foi pra sempre e é dificil de digerir. O meu refúgio se foi. Eu durmo, me desligo e tudo acaba mal feito outra vez. Imerso em sonhos e me afogando na irrealidade, eu durmo.

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